Trump sonha com o passado (os EUA grande de novo), enquanto o Sul Global constrói o futuro – as bases da Nova Ordem Mundial
Volta ao passado - Make America Great Again
A Campanha Make America Great Again significa reconhecer que os Estados Unidos não têm mais o poder que tiveram no passado.
Trump atribui essa decadência aos governos Democratas, escondendo a realidade de que o mundo vem mudando faz muito tempo. O próprio slogan foi usado pela primeira vez por Ronald Regan na eleição de 1980.
Eis a essência do MAGA, organizada segundo o ChatGPT, com base no Programa de Trump:
| Área | Posição típica do MAGA |
|---|---|
🇺🇸 Nacionalismo | Priorizar a soberania e os interesses dos EUA |
| 🛃 Imigração | Controle rigoroso da fronteira e deportação de imigrantes em situação ilegal |
| 🏭 Indústria | Reindustrializar os EUA e trazer produção de volta ao território americano |
| 💵 Comércio | Usar tarifas e outras medidas para proteger empresas e trabalhadores americanos |
| ⛽ Energia | Aumentar a produção americana de petróleo, gás e outras fontes de energia |
| 🪖 Defesa | Manter forças armadas muito fortes e adotar uma política externa baseada na força |
| 🌎 Globalização | Reduzir aquilo que o movimento considera dependência excessiva de organismos e acordos internacionais |
| 🏛️ Governo | Reduzir regulamentações e, em várias áreas, diminuir o papel do governo federal |
| 👨👩👧 Valores sociais | Defender posições conservadoras em temas culturais, religiosos e educacionais |
| ⚖️ Instituições | Reformar aquilo que os apoiadores consideram uma burocracia federal excessivamente poderosa |
Trump isola os EUA, perseguindo o passado
A estratégia do MAGA é saudosista. Foca no passado.
As tarifas aplicadas indistintamente, inclusive contra os parceiros históricos, leva os EUA ao isolamento político e a perda de confiança.
A energia baseada no Petróleo, a negação da crise climática e a negação das energias limpas desarmam os EUA para os desafios do futuro.
Reindustrializar a economia americana não é tão simples assim. As condições politicas, econômicas e financeiras são diversas e a Plutocracia tem outros interesses.
O conflito contra o Irã mostrou que todo o poderio militar americano não foi capaz de subjugar o regime dos Aiatolás e mais que isso, deixou claro que os EUA não podem mais garantir a segurança de seus aliados no Oriente Médio.
O cidadão americano amarga um processo inflacionário crescente, derivado do aumento do custo do petróleo e seus impactos em toda a cadeia econômica e das tarifas que encarecem as importações.
O descolamento das economias globais em relação ao Dólar diminuem a capacidade americana de rolar suas dívidas, exportando a inflação pelo mundo.
O Sul Global constrói o futuro
O Sul Global segundo sua configuração atual em vermelho, constrói as bases do futuro, Uma Nova Ordem Mundial. Outros países, ameaçados pelos Estados Unidos, com o Canadá, poderão no futuro se integrar ao movimento
Afinal, o que é o Sul Global?
É um agrupamento de países em desenvolvimento e emergentes, procuram trabalhar em conjunto em busca de ação global comum de desenvolvimento. Diferentemente de um bloco, como a União Europeia, é uma articulação heterogênea, que adotou alguns objetivos comuns:
- maior peso político na ONU;
- reforma das instituições financeiras internacionais;
- maior representação no FMI e Banco Mundial;
- defesa do princípio de não intervenção;
- respeito à soberania nacional;
- fortalecimento do multilateralismo;
- oposição à imposição unilateral de sanções econômicas;
- maior capacidade de negociação coletiva.
O objetivo, portanto, não é necessariamente substituir uma hegemonia americana por outra, mas reduzir a concentração de poder internacional.
Como o futuro é definido
Diante da falência de organismos internacionais como a ONU e uma série de outras iniciativas criadas no pós Segunda Guerra, a alternativa para o desenvolvimento mundial tem sido a criação de diversos mecanismos multilaterais.
O BRICS
O conceito de países emergentes (BRIC – Brasil, Rússia, India e China) foi usado pela primeira vez em 2001, pelo economista Kim O’Neil, do Banco Goldman Sachs. Mas estes países só vieram a se reunir como uma entidade política e diplomática em 2006 e sua primeira reunião de cúpula aconteceu em 2009. Em 2011, o agrupamento recebeu a adesão da África do Sul, se tornando BRICS.
Seus objetivos:
- Dar maior voz e representatividade aos países emergentes na política internacional.
- Recompor e reformar instituições financeiras internacionais (como o FMI e o Banco Mundial) e o Conselho de Segurança da ONU.
- Alinhar estratégias de desenvolvimento mútuo, comércio e investimentos entre as nações do Sul Global.
- Servir como um contraponto ao domínio econômico das potências ocidentais tradicionais.
Em 2014, na reunião de cúpula de Fortaleza, os países membros criaram o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento, com o objetivo de financiar projetos de infra estrutura.
No período de 2024/2025, o boloco recebeu novos membros, com a entrada do Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia. Foi criada também a categoria de Parceiros, para estreitar laços com outros países do mundo.
Atualmente o BRICS representa 40% da economia global em paridade de poder de compra e agrupa quase 50% da população mundial.
O BRICS não é um bloco econômico, como a União Europeia e se desenvolve estimulando o desenvolvimento de objetivos comuns, apesar das divergências internas.
A 18% Reunião de Cúpula dos BRICS realizada nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, na Índia deu mais um passo na construção de uma alternativa institucional do Sul Global ao sistema financeiro, comercial e geopolítico dominado pelos EUA e seus aliados. O presidente Lula foi representado pelo Ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Tão importante quanto a reunião de cúpula, foram os encontros bilaterais entre países, que deverão coordenar diversas atividades políticas, econômicas e diplomáticas.
Segue o resumo da Declaração de Nova Délhi:
- 🌎 Ordem internacional: defesa de um mundo mais multipolar e de maior participação dos países do Sul Global.
- 🇺🇳 ONU: defesa da reforma das instituições multilaterais, incluindo o Conselho de Segurança.
- 💵 Sistema financeiro: maior utilização das moedas nacionais no comércio entre os membros e redução de custos nas transações.
- 💳 Pagamentos internacionais: avanço da cooperação em sistemas de pagamentos e iniciativas associadas ao BRICS Pay.
- 🏦 FMI e Banco Mundial: defesa de maior representação dos países emergentes.
- 🌐 Comércio: oposição a medidas comerciais unilaterais e ao protecionismo.
- 🤖 Inteligência artificial: cooperação em tecnologia, inovação e governança da IA.
- 🌱 Clima e desenvolvimento sustentável: cooperação em energia, agricultura e transição sustentável.
- 🕊️ Conflitos internacionais: defesa de soluções diplomáticas e maior respeito ao direito internacional.
Organização de Cooperação de Xangai
A Organização para Cooperação de Xangai (OCX) é uma aliança eurasiática de caráter político, econômico, tecnológico e de segurança internacional, criada em 2001, agrupando China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão Tajiquistão e Uzbequistão.
Posteriormente, Índia, Paquistão, Irã e Bielorússia passaram integrar a organização.
Seus objetivos:
- Segurança Regional: Foco inicial e principal no combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo político.
- Cooperação Econômica: Estímulo ao comércio, investimentos e parcerias em tecnologia e energia entre os países membros.
- Contrapeso Geopolítico: É vista como um fórum de articulação voltado para o Sul Global e uma alternativa de influência na Eurásia em contraponto a blocos de segurança e econômicos de matriz ocidental.
A última cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Bishkek, no Quirguistão, marcou os 25 anos do bloco e resultou na aprovação da Declaração de Bishkek e de 28 documentos estratégicos.
Foram aprovados os regulamentos para a criação efetiva do Centro Universal da OCX para o Enfrentamento de Desafios e Ameaças à Segurança e do Comitê Executivo do Centro Antidrogas da OCX, institucionalizando o combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Os líderes endossaram a necessidade de um mundo multipolar mais equilibrado, apoiando princípios de igualdade soberana e o multilateralismo defendido pela Iniciativa de Governança Global.
Houve o anúncio de investimentos e projetos em inteligência artificial (IA), energias renováveis (como capacidade eólica e solar), economia digital e a melhoria de corredores logísticos e de transporte na Eurásia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou do evento e reforçou o papel da OCX como pilar do multilateralismo e da busca por soluções pacíficas para os conflitos globais atuais.
Iniciativa de Governança Global
Principais Objetivos
- Multilateralismo e Reforma da ONU: Defende um sistema internacional mais justo, com o fortalecimento e a reestruturação de órgãos centrais como a Organização das Nações Unidas (ONU).
- Protagonismo do Sul Global: Busca ampliar a participação de países emergentes e em desenvolvimento nas decisões globais.
- Contraponto ao Unilateralismo: Critica ações unilaterais, sanções e políticas de protecionismo ou interferência na soberania alheia, frequentemente associadas à atuação dos Estados Unidos.
Bases Fundamentais
- Igualdade soberana: Respeito mútuo entre nações, independentemente do tamanho ou poder econômico.
- Estado de direito internacional: Cumprimento estrito dos princípios da Carta da ONU.
- Cooperação conjunta: Rejeição a lógicas de confronto ou de “jogo de soma zero”.
O futuro - Fim do Dólar do moeda global
As relações econômicas internacionais estão gradativamente abandonando o Dólar como a moeda de compensação internacional, particularmente nos países que sobrem sanções econômicas dos Estados Unidos. Este processo se acentuou com o conflito entre EUA e Irã. Petróleo e outros produtos do Irã, como fertilizantes estão sendo comercializados em moedas locais.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) ainda transaciona principalmente em dólares, mas a troca por medas locais e uma cotação baseada em uma cesta de moedas avança cada vez mais.
O fim gradativo da dominância do dólar como principal moeda global já traz impactos profundos na economia dos Estados Unidos e reconfigurará o sistema financeiro internacional. Como o dólar atua como a principal moeda de reserva e de troca no mundo, sua perda de espaço afeta tanto os mercados quanto a geopolítica.
O futuro: A Nova Rota da Seda
A Nova Rota da Seda é um ambicioso projeto chinês, lançado em 2013, com o objetivo de desenvolver a cooperação econômica mundial e a infraestrutura necessária, revivendo em escala Global um componente importante da tradição chinesa: o comércio global.
Este projeto integra dois componentes:
- O Cinturão terrestre, que integra a China à Ásia Ocidental, Ásia Central e Europa. É o caminho utilizado atualmente para integrar a China ao Irã e Iraque, passando pelo Paquistão.
- A rota marítima, que inclui o desenvolvimento, modernização e integração de Portos na Europa, na África e nas Américas.
AA China lidera os investimentos em infraestrutura de transportes na África por meio de empréstimos multibilionários e da Iniciativa Cinturão e Rota.
- Valores: Entre 2000 e 2023, o setor de transportes recebeu cerca de US$ 52,65 bilhões em financiamentos chineses no continente. [1]
No Brasil, os projetos de integração no segmento de transportes engloba:
- Portos e Terminais: Empresas e estatais chinesas investem em terminais portuários estratégicos. A gigante agroexportadora Cofco atua com forte presença no Porto de Santos, enquanto a China Merchants Port Holding Company (CMPorts) controla o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e avalia outras expansões em portos nacionais.
- Ferrovias e Projetos Bioceânicos: Governos di Brasil e da China assinaram acordos e memorandos de entendimento para estudos ferroviários. O grande destaque é o debate em torno de projetos de ferrovia bioceânica ou transoceânica para ligar o litoral atlântico brasileiro (como na Bahia) ao Porto de Chancay, no Peru, facilitando o acesso direto ao Oceano Pacífico. Também há discussões sobre modelos de cooperação, como a proposta de uma estatal binacional para viabilizar trechos ferroviários.
A agonia do império se aprofunda
Diante dessa realidade, a agonia do império se aprofunda.
Enquanto os Estados Unidos se isolam em todo o mundo, criando sérios conflitos com vizinhos como o Canadá e o México, animosidade e distanciamento da Europa e desconfiança nos seus aliados árabes, a China avança estabelecendo relações comerciais com mais de 100 países.
Sem ameaças, sem pressão bélica, sem tarifas e sanções.
O conflito entre passado e futuro fica cada vez mais evidente e o povo americano começa a crer que a política apresentada pelo seu governo isola o país e o torna cada vez mais frágil frente à economia global e a China.
Muito em breve ficará claro que nos Estados Unidos não tem mais como exportar para o mundo um déficit de USD 40 trilhões, utilizado o Dólar como moeda de comércio internacional.




