Gato Morto.
É como Pepe Escobar, jornalista investigativo brasileiro chama o Memorando de Entendimento assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã em junho de 2026, que deveria iniciar um processo de paz entre os países.
Gato Morto porque pouco depois de assinado, foi descumprido por Donald Trump, dando início a um novo enfrentamento no Oriente Médio.
Desde então, vários países do Golfo, com a intermediação do Paquistão, tentam sem sucesso ressuscitá-lo.
A origem do conflito Estados Unidos e Irã
Empolgado com o sucesso do sequestro de Nicolás Maduro e incentivado pelos conselhos maliciosos de Benjamin Netanyahu sobre uma rápida vitória sobre o regime Iraniano, Donald Trump ordenou o ataque militar ao Irã em 28 de fevereiro de 2026.
Essa investida já tinha sido precedida do ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel às instalações nucleares do Irã em 21 de junho de 2025.
A primeira leva de ataques pareceu promissora. Um conjunto importante do alto comando do Irã foi morto, incluindo o chefe supremo, Aiatolá Ali Kamaney. Donald Trump previa uma guerra rápida, fulminante, que duraria poucos dias ou semanas.
Mas a história não foi bem assim.
O Irã demonstrou uma capacidade de resistência e reação inesperada, atacando simultaneamente Israel e as bases militares americanas no Oriente Médio, provocando severas perdas materiais.
O conflito que deveria durar poucos dias, se arrastou até o mês de junho, quando Donald Trump finalmente aceitou sentar à mesa para negociar.
Gato Morto - O Memorando de Entendimento
O Memorando de Entendimento foi assinado pelos presidentes ido Irã e dos Estados Unidos em junho de 2026, como o ponto inicial de um processo para colocar fim à Guerra no Oriente Médio, com prazo de negociações de 60 dias.
Termos Principais do Memorando
Cessação das Hostilidades: Fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. Compromisso mútuo de não iniciar guerras ou operações militares e de não usar ou ameaçar usar a força.
Soberania e Não Interferência: Compromisso de respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro e de não interferir nos assuntos internos.
Negociações para um Acordo Final: Compromisso de negociar e alcançar um acordo final em um prazo máximo de 60 dias, prorrogável por consentimento mútuo. Essas negociações se concentrarão exclusivamente na questão nuclear e no alívio das sanções.
Bloqueio Naval e Estreito de Ormuz:
EUA: Iniciar imediatamente a suspensão do bloqueio naval contra o Irã e encerrá-lo completamente em até 30 dias.
Irã: Fornecer passagem segura e gratuita para navios comerciais no Estreito de Ormuz por um período de 60 dias. Após esse período, o Irã pretende cobrar por serviços de segurança e ambientais.
Retirada Militar dos EUA: Os EUA se comprometem a retirar suas forças militares das áreas ao redor do Irã em até 30 dias após o acordo final.
Fundo de Reconstrução: Os EUA, juntamente com parceiros regionais, se comprometem a desenvolver um plano para a reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, com um investimento de pelo menos US$ 300 bilhões.
Alívio de Sanções: Os EUA se comprometem a suspender todas as sanções contra o Irã, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU, da AIEA e sanções unilaterais americanas (primárias e secundárias), de acordo com um cronograma a ser definido no acordo final.
Programa Nuclear Iraniano:
O Irã reafirma seu compromisso de não desenvolver ou adquirir armas nucleares.
As partes concordam em resolver a questão do estoque de urânio enriquecido do Irã por meio de um mecanismo acordado, que inclui a diluição no local sob supervisão da AIEA.
Manutenção do Status Quo: Até que um acordo final seja alcançado, as partes concordam em manter o status quo. O Irã manterá seu programa nuclear no estado atual, e os EUA se comprometem a não impor novas sanções ou implantar forças adicionais na região.
Mas o acordo durou apenas 9 dias.
Como o gato foi morto
Incentivados pelo governo americano a testar os limites do acordo, 3 navios cargueiros tentaram passar pelo estreito, utilizando o canal próximo a Omã. Em represália, o Irã, que reivindicava o controle sobre o Estreito, bombardeou os cargueiros e os Estados Unidos reiniciaram o conflito.
Desde então os conflitos tem se sucedido, entremeados de períodos de trégua.
Os Estados Unidos atacam o território Iraniano e o Irã ataca sistematicamente as bases militares americanas na região, sendo que as ações iranianas mais recentes aconteceram contra as bases militares e as instalações da CIA na Jordânia.
Os Estados Unidos iniciam também ataques a infraestrutura iraniana como pontes, áreas civis e usinas de dessalinização de água. O Irã concentra seus ataques em interesses americanos em todo o golfo.
Ressuscitar o gato morto
O conflito entre Irã Estados Unidos chegou a um impasse.
Trump não conseguiu obter a capitulação do Irã, mas não pode abandonar o conflito com a percepção mundial de uma derrota. O Irã sofreu pesadas perdas mas sobreviveu aos ataques e mostrou força estratégica. Tem em suas mãos o controle do Estreito de Ormuz.
A comunidade internacional teme por uma escala do conflito que possa arrastar para o teatro do conflito outros atores em todo o mundo.
O Paquistão, apoiado pela China, assumiu o papel de mediador do conflito e tem feito grandes esforços de intermediação entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, em meio aos conflitos localizados e ameaças. O Paquistão procura de todas as formas ressuscitar o Gato Morto, ou em outras palavras, recompor o acordo com base. no Memorando de Entendimento.
É impossível esquecer que a crise do petróleo afeta toda a economia mundial e o confronto com o Irã colou sem xeque a estabilidade de todo o Oriente.
O Gato Morto vai ressucitar?
Existiam muitas esperanças na segunda quinzena de agosto. O Paquistão procurou de todas as formas uma saída honrosa para o impasse. No entanto, o conflito já estava produzindo rearranjos nas forças políticas do Oriente Médio.
Está em curso o acordo Irã/Omã pelo controle do Estreito de Ormuz, criando mais uma dificuldade para que os Estados Unidos reivindiquem a abertura total do Estreito. Em paralelo, o Yemen informou o possível fechamento do estreito de Bab el-Mandeb, criando um estrangulamento ainda maior ao escoamento do petróleo na região.
Para complicar ainda mais a influência dos Estados Unidos, está em elaboração o Pacto de Meca, um acordo ainda não muito bem definido entre a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita, para o qual existem informações não confirmadas de que o Irã foi convidado a participar.
Os limites da Escalada Militar
Depois de afastar do teatro de operações dois Porta Aviões (Gerald Ford e Abraham Lincoln) e de reduzir perigosamente o estoque de mísseis, os Estados Unidos decidiram insistir no estrangulamento econômico do Irã.
Mas o bloqueio econômico mostrou seus limites porque depois de 47 anos de sanções e diante da integração do Irã aos mercados do Sul Global e a aproximação com a China e a Rússia, a economia iraniana passou a operar fora das restrições do Dólar, realizando negócios em moedas locais, incluindo o Yuan.
Além disso, o Irã agora é membro do BRICS e pleiteia a entrada no Banco dos BRICS, abrindo assim novas perspectivas econômicas. Esta realidade levou analistas internacionais a comparar o embargo econômico dos Estados Unidos a um Pum de Rato. Algo sem qualquer efeito prático
Nada está resolvido
O Memorando de Entendimento continua sobe a mesa, mas retomá-lo significaria uma grande derrota para Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.
Setores radicais na política americana já acenam com a possibilidade de uso de armas nucleares táticas, mas esta estratégia cria um precedente muito perigoso e seu uso poderia aprofundar o isolamento mundial que os Estados Unidos já vivem, acelerando a agonia do Império.
Portanto, pelo menos até novembro o mais provável é a continuidade de escaramuças localizadas, entremeadas de ameaças e tentativas de negociação.
Assim o Gato continua Morto e insepulto.




