A Constituição de 1988 morreu aos 38 anos, vítima de uma onda conservadora que varreu o nosso cenário político.
Foi a Constituição mais longeva da nossa República, mas já vinha apresentando graves sinais de fragilidade, acometida de altas taxas de corrupção, patrimonialismo e atacada pelo vírus Donald Trump.
A Constituição morreu. E agora?
A Constituição mais longa da nossa frágil história de República morreu pelas mãos da extrema direita, que tomou de assalto o Congresso Nacional, governos de Estados importantes e diversas casas legislativas de todo o país.
Essa derrota já está na conta.
O possível neste momento é garantir a vitória de Lula para a Presidência da Republica como um anteparo, mesmo que frágil, ao massacre completo das nossas instituições e da nossa soberania.
O povo quer mudanças. Apostou nos oportunistas
Não é de hoje e praticamente em todo o mundo, o povo cansou do Establishment.
De instituições distantes que não representam seus interesses e suas necessidades.
É por isso que os “outsiders”, os anti sistema conseguem tanta projeção, turbinados pelos algoritmos das redes sociais. A cada ciclo aparece um novo: Bolsonaros, Marçais, Renans, Nikolas e tantos outros.
De um lado, nossas elites, gananciosas e covardes, preferem se amalgamar a estes movimentos, mesmo que para isso tenham que ceder parte do poder. Preferem continuar a vender commodities a arregaçar as mangas e empreender em projetos de valor agregado. Aceitam que os senhores do Império se dediquem a isso.
O medo da força do povo os leva a escolher os bandidos como aliados, a aceitar o aumento do poder popular, maior justiça social e maior igualdade. Preferem continuar na função de feitores de escravos na Jornada 6×1.
De outro lado, o PT, liderado por Lula, escolheu o caminho da “Frente Ampla”, força que nunca existiu para tentar alavancar as mudanças políticas, financeiras e sociais necessárias. Conseguiu com isso arregimentar uns gatos pingados vindos da antiga “elite progressista”, representada por Alckmin, Tebet e mais outros tantos, que não tinham força para enfrentar o “sistema”.
E assim o caminho se abriu para o fascismo para o crime organizado no poder.
Flávio Bolsonaro é o Crime Organizado no poder
As relações de Flávio Bolsonaro com o Crime Organizado não são conjecturas.
Não é Teoria da Conspiração.
A profunda relação de Flavio Bolsonaro com Daniel Vorcaro já foram provadas.
- Perto de R$ 70 milhões de Reais originados da fraude a investidores, fundos de aposentadoria de funcionários públicos e de consignados do INSS foram parar numa conta nos Estados Unidos, gerenciada pelo seu irão.
- A participação dele, sua família e de representantes de alto escalão da política brasileira está escondida nas gavetas do Ministro terrivelmente Bolsonarista.
- Os crimes do Banco Master, assim como as fraudes do INSS nasceram durante o governo do seu pai, Jair Bolsonaro.
- Flavio Bolsonaro tem relações estreitas com as milícias do Rio de Janeiro, condecorou matadores e destinou verbas parlamentares para traficantes envolvidos com o assassinato da vereadora Mariele Franco
- Flavio Bolsonaro trabalhou pela indicação e colaborou com o governo Claudio Castro, que desviou que R$ 1 bilhão dos fundos de aposentadoria do funcionários públicos do Rio de Janeiro
- Flavio articulo sua atividade com traficantes conhecidos, como TH Joias e Rodrigo Bacelar, que em seu eventual governo poderão ser libertados
- Flavio Bolsonaro assumiu um compromisso de incluir em seu governo de transição representantes do governo dos Estados Unidos para decidir o que acontecerá com o Brasil
Lula é o muro de contenção contra o fascismo
Lula precisa ganhar no segundo turno
Frente aos resultados das eleições, Lula é o último muro de contenção contra a vitória completa do fascismo sobre as instituições brasileiras.
Está claro que será uma barreira frágil, mas é a possível neste momento. Serão tempos difíceis, marcados por muitos conflitos e enfrentamentos.
Não será possível vencer o segundo turno das eleições presidenciais caminhando para o centro, para a acomodar a parcela da elite atropelada pela extrema direita.
Será necessário deixar bem claro o Brasil que Queremos.
Um país que constrói seu futuro aproveitando soberanamente suas riquezas. Que não tolera a desigualdade e a miséria. Que quer desenvolver relações com todos os países do mundo e que defende a paz e a harmonia entre os povos acima de tudo, que é contra o genocídio do povo Palestino.
Um país onde a voz do povo é ouvida. Não é anulada por instituições que representam apenas os interesses das elites conservadoras, colonialistas, corruptas e vendidas aos interesses de Donald Trump.
Onde cada mãe solo tenha a dignidade necessária para criar seus filhos e onde os jovens não sejam usados como peões do tráfico, porque parece ser a única alternativa que lhes resta.
Para ganhar no segundo turno, Lula precisa deixar claro que quer representar os sem voz neste país, sem qualquer tipo de acordo com as elites que sempre exploraram o povo brasileiro.
Fim da escala 6×1 é fundamental. É o fim da escravidão dos nossos dias.
Mas também é preciso defender os interesses dos entregadores, motoboys, motoristas de aplicativos, pequenos empreendedores, que trabalham 12 horas por dia, em condições desumanas para garantir o sustento das suas famílias.
É necessário dar a este povo uma viso de futuro em que acreditar. Uma visão e Brasil pelo qual vale a pena lutar.
A vitória de Lula poderá ser o ponto de partida para a reconstituição da nossa democracia, a partir de um movimento popular profundo por uma Constituinte Livre, Democrática e Soberana, que represente de fato a vontade soberana do povo brasileiro, contra a extrema direita e as nossas elites covardes e colonialistas.




