Um pum de rato

Um pum de rato

Um pum de rato.

Este é o efeito das novas sanções econômicas dos EUA sobre o Irã.

Depois de 47 anos de boicotes e sanções, o Irã não depende mais do Swift e das relações com os EUA para sobreviver.

Por que um pum de rato

Um pum de rato. 

É forma como alguns analistas de geopolítica definem as novas sanções dos EUA contra o Irã. 

Por que?

O Irã, já vive sob sanções econômicas dos EUA desde 1979. O país construiu meios alternativos para sobreviver, apesar do intenso esforço norte americano para isolar-los na região do Golfo.

Se estas sanções criaram sérios problemas para o regime instalado após o reinado títere do Xá Rezah Pahlavi, na atualidade estes efeitos foram anulados por novas relações que o Irã construiu, principalmente com a China, Rússia, Paquistão e com sua entrada nos BRICS.

As principais relações do Irã com os demais países do mundo, incluindo o Brasil, não acontecem pela rede mundial SWIFT, controlada pelos Estados Unidos. Ou elas acontecem com trocas em moedas locais, ou pela rede internacional CIPS, criada pela China, que ameaça o SWIFT como rede mundial de transações financeiras.

Uma forma "honrosa" de desistir

Empolgado com o rápido sequestro de Nicolás Maduro e incentivado pelo Lpbby sionista americano e Netanyahu, Donald Trump chegou a acreditar que exterminaria a cúpula do governo do Irã e provocaria a queda do regime em poucos dias.

O Irã mostra que a história não seria assim e que a tentativa custaria muito caro

Depois de 5 meses de tentativas, gastos militares aproximados de USD 37,5 bilhões, destruição significativa de mais de 200 estruturas no Oriente Médio, redução perigosa dos seus estoques de equipamentos de defesa, ataques diretos do Irã a Israel, tentativas frustradas de desbloquear o Estreito de Ormuz, só sobrou a Trump a opção de uma retirada silenciosa do cenário do Oriente Médio.

O novo bloqueio econômico?

É apenas uma desculpa esfarrapada para o público interno, porque Trump sabe que não tem como aplicar sanções contra os principais parceiros econômicos no Irã na atualidade. Por isso é um um pum de rato

E o Irã se prepara pra aderir ao Banco dos BRICS.

O Oriente Médio não é mais o mesmo

O conflito armado com o Irã colocou em dúvida a capacidade dos Estados Unidos de proteger os governos aliados dos Emirados Árabes Unidos, Kwait, Bahrein, Quatar e Arábia Saudita,  do poderio militar de Teerã.

As bases norte americanas criavam um cinturão bélico contra o Irã na região, mas a destruição das suas estruturas mostrou que os EUA não conseguem cuidar nem mesmo dos seus ativos.

Os Estados Unidos estão deslocando suas estruturas para Israel e Diego Garcia, uma base perdida nos confins do Oceano Pacífico.

Seus poderosos porta aviões precisam ficar a 250 km do Irã, para evitar possíveis ataques com mísseis.

Radares destruídos

E o Irã utiliza uma rota pelo Paquistão (ver no mapa acima), para chegar à China, que continua comprando 80% do seu petróleo.

Provavelmente os Estados Unidos não terão mais o mesmo poder influência do passado nos governos do Oriente Médio. E com isso, o Petrodolar, começa a enfraquecer. É mais uma das agonias do Império.

O risco de uma ataque nuclear tático

Arma nuclear tática

Os senhores da guerra mais radicais dos EUA discutem nos porões a possibilidade de usar armas nucleares táticas contra o Irã.

Sob o ponto de vista do Imperialismo, não seria má idéia, como forma de subjugar os regimes do Oriente Médio e de promover uma “limpeza étnica” na região.

Porém, a maioria das opiniões é de que não é possível medir as consequências práticas desta iniciativa e suas repercussões na geopolítica mundial. Esta incerteza, além das dúvidas sobre a capacidade do governo Trump de suportar os impactos na opinião pública americana impedem que esta alternativa seja adotada de imediato.

Mas não dá para descartar esta possibilidade, se o movimento político americano reforçar  o poder dos segmentos armamentistas na opinião pública do país, ameaçando cada vez mais a democracia americana.

O império está em lenta agonia mas não morreu. E nem  morrerá sem lutar pela sua continuidade.

No Brasil e a AL não será um pum de rato

Cúpula das Américas - Ataque à soberania na AL

Derrotado no Grande Oriente Médio, os Estados Unidos tenderão a aumentar seus esforços na América Latina.

Trump já obteve poderosa conquistas, com a eleição de governos alinhados à sua estratégia em diversos países latino americanos. E esta vitória está consolidada na nova estrutura da Cúpula das Américas, que utiliza como pretexto de alinhamento a guerra ao “narco terrorismo”.

O Brasil é o alvo da vez. 

É o país que não se alinhou a Trump até o momento, é membro do BRICS, preside o Banco do BRICS no segundo mantado consecutivo e executa uma política estratégica de defesa das relações multilaterais com o Sul Global. A soberania do Brasil é uma ameaça ao império e deve ser quebrada.

O pum de rato no Oriente Medio será compensado por Trump com um poderoso ataque à soberania da América Latina, com o desdobramento da Doutrina Donroe.

Tempos difíceis nos esperam e os ventos das ameaças já são sentidos com a proximidade das eleições.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Complexo de Vira Lata

Complexo de Vira Lata

Complexo de Vira Lata.
Na minha vida pensei que este sentimento era somente dos brasileiros. Estou descobrindo que ele atinge mais gente do que eu pensava.

Leia mais »
Outros Artigos